O IAPP Global Summit 2026 em Washington, que aconteceu entre os dias 30 de março e 02 de abril, manteve sua característica fundamental: uma abordagem “all hands on deck”.
Diferente da edição de Bruxelas, que tende a ser mais densa, técnica e voltada ao debate político e acadêmico das normas, o evento americano foca na aplicação prática, em cases reais e em toolkits desenhados para os desafios imediatos dos profissionais de privacidade.
Enquanto na Europa discute-se o teor das regulações e a política por trás da governança, em Washington o foco recai sobre os impactos regulatórios e a governança sob uma perspectiva operacional.
Tendências e temáticas centrais
Em 2026, a pauta foi amplamente dominada pela Inteligência Artificial, com especial ênfase na figura dos agentes de IA e na governança em suas nuances mais pragmáticas. Além disso, temas como gestão de dados, cibersegurança (bastante!), proteção de menores (notadamente a verificação de idade), publicidade digital, ética e soberania digital ganharam destaque.
Um ponto de inflexão foram os keynotes e os painéis de abertura e encerramento. Essas sessões promoveram reflexões existenciais e sociais, potencializadas pela presença de figuras como Salman Rushdie e o Príncipe Harry – embora tenham deixado passar oportunidades para discussões técnicas, de conteúdo, sobre questões relevantes e atuais.
No cenário regional, foi notável a participação do Presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves Ortunho, que discutiu as perspectivas da regulação na América Latina ao lado de autoridades da Argentina e do Equador.
O Summit sob a ótica da Governança de IA: do compliance à estratégia prática
É importante ressaltar que a experiência do Summit é multifacetada; o evento se transforma conforme as escolhas de cada participante. Sob a minha perspectiva, o foco concentrou-se na Governança da IA, explorando os desafios de implementação de uma supervisão adequada frente às limitações do capital humano e à necessidade inevitável de utilizar a própria tecnologia como ferramenta de controle (o conceito de tecnologia monitorando tecnologia sob supervisão humana).
Painéis dedicados à governança técnica demonstraram que o compliance moderno depende da integração entre diferentes equipes e da capacidade de formular as perguntas corretas. Entre os questionamentos essenciais para o desenvolvimento de um repertório sólido, destacam-se: “A quem essa IA realmente faz?”; “Quem ela afeta e como?”; “Como essa IA é monitorada?”; “Que sinais essa IA emite de urgência ou limitação de escolhas?”; “A revisão foca apenas na performance ou na experiência do usuário?”; “Que registros há sobre o processo por trás do design?”; “Que controles estão funcionando, na prática?” – são alguns exemplos de questionamentos necessários.
Essas perguntas tornam-se fundamentais em um cenário onde a adoção da IA atropela a instituição de salvaguardas, resultando em soluções implementadas antes mesmo da existência de controles estruturados.



















